Saiba mais sobre Ginecologia Endócrina
Acompanhar a mulher em todas as fases da vida, procurando sempre entender suas queixas e promover qualidade de vida.
Estes são os objetivos da Ginecologia Endócrina. Esta supraespecialidade da Ginecologia é responsável por avaliar os sintomas e tratar doenças que acometem mulheres desde a adolescência até a senilidade.
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Cólicas menstruais, irregularidade dos ciclos, puberdade precoce e tardia, sintomas causados pela menopausa, como os fogachos, ressecamento vaginal, osteopenia e osteoporose, avaliando as melhores opções para terapia de reposição hormonal em pacientes que possuem indicação. Também acompanha as mulheres durante o seu período reprodutivo, chamado menacme, atentando para problemas como dificuldades de engravidar, anovulação, síndromes masculinizantes ou hiperandrogenismo, a qual engloba, dentre outras características, o aumento de pelos e oleosidade da pele e cabelos, e a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP). A SOP tem entre seus sintomas a irregularidade menstrual e é diagnosticada com o auxílio do exame ultrassonográfico, quando se detecta a presença de microcistos nos ovários. Se você tem alguma dúvida sobre esses assuntos, consulte um especialista em Ginecologia Endócrina.
Síndrome dos Ovários Policísticos
A Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) é uma das doenças endocrinológicas mais comuns nas mulheres.
Acomete aproximadamente 10% das mulheres em idade reprodutiva. É uma desordem endocrinológica caracterizada por alterações menstruais, aumento dos hormônios masculinizantes e ovários policísticos ao ultrassom.
A obesidade está presente na SOP em até 80% dos casos, caracterizada por uma obesidade central ou seja, a relação entre a circunferência da cintura e a circunferência do quadril é maior que 0,8 e circunferência da cintura maior a 88 cm.
Na SOP, temos uma desordem plurimetabólica, com a presença de aumento dos hormônios masculinizantes, aumento dos níveis de insulina e resistência periférica a insulina.
Como consequência, encontramos a presença de pêlos onde normalmente a mulher não apresenta pêlos, espessamento e aumento dos pêlos, queda e oleosidade dos cabelos, acne, aumento da massa muscular entre outras.
Ocasionalmente encontramos manchas escuras ou hiperpigmentação em região de vulva, axilas e nuca.
Os ovários apresentam folículos em estágios variados de desenvolvimento, levando a ciclos menstruais longos, fazendo a mulher menstruar a cada 3 a 4 meses. Como consequência desta temos a sub-fertilidade de causa ovariana. A imagem ultrassonográfica apresenta múltiplos cistos (folículos) de tamanhos variados dispostos na periferia do ovário.
O diagnóstico da SOP é clínico, ultrassonográfico e laboratorial onde as alterações hormonais são identificadas. Muitas mulheres normais sem a SOP, podem ter ovários com múltiplos cistos ao ultrassom, porém sem apresentar os comemorativos acima, não caracterizando assim a doença acima.
O ovário produz normalmente um hormônio chamado estrogênio, o qual é antagonizado por um outro hormônio ovariano chamado de progesterona. Na SOP a ação do estrogênio é superior a da progesterona, tornando a mulher suscetível a doenças estrógeno-dependentes ao longo dos anos, como o câncer do endométrio. Devido a outras alterações hormonais há o risco contra doenças cardiovasculares, diabetes, hipertensão arterial e dislipidemia.
O objetivo do tratamento é corrigir a desordem hormonal, restabelecendo a regularidade menstrual, melhora da pele, fertilidade e principalmente diminuindo o risco contra doenças estrógeno-dependentes e as outras acima citadas. Além do uso de medicações específicas, entre elas os contraceptivos hormonais orais e medicação para diminuir a resistência periférica a insulina, a perda de peso é fundamental para o sucesso do tratamento. Quanto a fertilidade, medicações para estimular a ovulação podem ser necessárias.